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terça-feira, 1 de março de 2011

Dissertando





O Que é Comunicação?

            A palavra é simples, conhecida pela maioria da população. No entanto, quando questionadas, as pessoas não sabem, ou não conseguem defini-la. Parte indispensável da vida em sociedade, a comunicação faz parte da rotina diária de todos nós. Estamos sempre conversando, trocando telefonemas, mensagens no celular, e-mails ou, até mesmo, assistindo a programas de televisão. Todo ser humano precisa comunicar-se para sobreviver. Já nascemos com tal necessidade e, aqueles que possuem uma maior habilidade com as palavras, são os que se destacam na sociedade.
            Estabelecendo uma definição simples, é válido dizer que a comunicação ocorre quando alguém consegue, através de um canal disponível e utilizando um código comum, passar uma mensagem, um pensamento, para outra pessoa. Seria plena e perfeita caso fossem absorvidas exatamente as mesmas idéias, sem nenhuma alteração. A comunicação plena não é possível, visto que, como seres humanos que somos, não obstante vivermos em sociedade, cada um de nós tem personalidade e ponto de vista próprios, além de diferentes maneiras de interpretar os fatos.
            Todavia, ainda que discordemos da opinião alheia, se uma mensagem foi transmitida, se alguém usa as palavras, seja para o bem ou para o mal, independente dos subterfúgios e artefatos utilizados, para convencer, informar, questionar outra pessoa, e o receptor entende a mensagem, então, houve comunicação. É correto afirmar que a comunicação acontece quando há apreensão intelectual, por um indivíduo, da mensagem que outro tentou passar, independente do código e do canal utilizados, sem levar em consideração a interpretação do receptor.
            O assunto da mensagem em questão renasce em novas condições, uma vez que é passado de um cenário, leia-se mente, para outro totalmente distinto. A comunicação é, portanto, a transferência de conhecimento de uma pessoa para outra, sendo totalmente necessária à vida e ao aprendizado humano e, de certa maneira, alterando quem recebe a mensagem, pois, através desta, um novo conhecimento passa a ser parte integrante do receptor, oferecendo-lhe novas informações e diferentes aspectos a analisar.



Mariana Luz




     Mesmo que não compreendida, não interpretada da maneira que esperava ser, persisto na comunicação... Luh me entende!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Restaurar



Escorre
Escoa
Esborra
Transborda
Transcende
À velocidade
Acende
Energiza
Transporta
Importa
Exporta
Limpa
Purifica
Exala
Ecoa
Do alto
Escoa
Cai
Que beleza!
Direciona-se ao mar
Oceano
Plano
Na onda 
Vai
Vem
Vai
Abriga, alimenta
Abriga alimento
Acalenta
Na areia
Alento
Paz
Ó, Deus
Por que foi maculada?
Torna-a novamente virgem
E com tão espesso hímem
Que nada mais polua
Estrague
Gaste
E que homem nenhum
Possa desvirginá-la
Água


Mariana Luz

domingo, 31 de outubro de 2010

Regente Universal





Power
Brilho na tela
Cores, luz
Do mundo, janela
Parece mágica
Música, dança
Violência, crime
Busca por dinheiro
Namorado
Mulheres semi nuas
Inerte, estática
Antes, guardados numa caixa
Hoje, pintados na tela
Plana
LCD
Plasma
Quanta capacidade!
Possibilidade de conhecer o mundo inteiro
Lugares
Costumes
Crenças
Idiomas
Cultura
Festas
Tudo sem levantar do sofá
Domingo
15:00h
Para mim, a mensagem nada tem de subliminar
Humilhação
Passaporte para o mundo
Ou canal de confusão
Ela te avisa: "Volto em um minuto, não sai daí"
E tu? 
Obedeces, claro!
Compras
Te manda comprar produto X
Pagar caro por isto
Veicula merchandising 
Opinião 
Te faz acreditar que também podes
Já não sabes se tomas tuas próprias decisões
Ou não
Que máquina perfeita!
A melhor invenção 
Dos inteligentes
O melhor manipulador 
Dos tolos


Mariana Luz

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Solução



E quando isso acontecer
Não haverá mais desmatamento
Violência, queimada
Gravidez na adolescência, só planejada
Trânsito livre de acidentes
Assaltos, sequestros, não existirão
Estupros passarão a ser lenda
Guerras não acontecerão
Tampouco homicídios
Depressão
Não haverá motivo
Para o suicídio
A miséria acabará
Inflação, só no dicionário
De frio, fome, ninguém mais morrerá
Preconceito
Racismo
Erradicados
Desigualdade social terá difícil explicação
Corrupção, inimaginável
Toda criança terá direito a educação
Nenhum jovem ficará fora da faculdade
E a voz da professora foi ficando mais confusa
Não havia mais clareza
Como que tomando distância
Olhei o relógio, quase hora do intervalo
Tocou o sinal
Desliguei o despertador, levantei de um salto
Enquanto escovava os dentes
Tomei nota, mentalmente
Preciso lembrar de avisar
Respeito!



Mariana Luz


domingo, 24 de outubro de 2010

Receita Para o Sucesso



Ponha-se na presença de um bando de puxa-sacos
Aqueles que gostam de bajular, adular
Coloque-se em evidência
Por alguns instantes, faça-os acreditar
Em sua incomparável inteligência
Pronto! Resolvido
Diga-os, agora, o que quer que façam
Peça-os para votar em tal político
Convença-os a comprar produto X
Afirme que 2+2 = 5, eles acreditarão
Chame-os de trouxas, idiotas
Sutilmente, xingue-os em vão
Peça-os dinheiro, bastante
Explique, demonstre, explane
Para depois extorquir
Eles não se importarão
Invente um produto qualquer
Inútil
Disponibilize-o, à venda nas melhores lojas
Sucesso
E aproveite o seu período de império
Em muito pouco, será esquecido
Aparecerá um mais inteligente
Mais bonito
Ou menos vestido
Com idéias novas
Mais despido
E a legião de aduladores irá seguí-lo
Amá-lo desde a infância
Ora cegos
Ora surdos
Ora mudos
Alienados, por fim
Basta saber como
Assim funciona o ser humano
A mente medíocre dos que não sabem apreciar a arte

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Dois Mil e Tanto




Frio fúnebre
Gélida escuridão
Ausência de qualquer ruído
Palpável tensão
O medo cortante arranca-me as últimas gotas de esperança
Deus, não me deixe mais viver
Manda o anjo da morte, que ele me tire daqui
Envia depois o da vida, aquela eterna ao lado teu
Só não posso mais ficar aqui
Nesse universo cruel
Mundo de opressores
Oprimidos
Terra de gente insana
Loucos
Uns que morrem por nada
Outros matam por tão pouco
Suicídio agora é moda
Pobres almas inquietas, confusas
Por motivos esdrúxulos
Álcool, posses, luxos
Aniquilam suas vidas obtusas
Homicídio agora é fashion
O que mata e sai ileso
Este é ídolo, é lenda
À sociedade, desprezo
À quem passar perto, contenda
Genocídio é roteiro de cinema
Chacina, motivo de orgulho
Assalto agora é corriqueiro
Sequestro é coisa tão pequena
Grandes mesmo são as filas no hospital
Vandalismo, dos males o mais natural
Fauna e flora, pobrezinhas
Delas, pouco sobrevive
O que não foi liquidado
Corre risco de extinção
Água doce é sinônimo de riqueza
A potável, só se encontra em leilão
Deus, me ouve, por favor
Atende os meus pedidos
Meu desejo, meu último suplício
Me tira deste martírio
Não suporto viver entre essa gente
Não quero mais integrar a raça humana
Transforma-me em árvore, em planta
Assim vou mais rápido, assisto menos
A devastação que está apenas começando
E posso me orgulhar, como prêmio
Por não colaborar com tantos danos.

Mariana Luz

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Disparate

A mulher é faxineira
E o homem, traficante
Apaixonam-se loucamente
Desde o primeiro instante
Ela está grávida
Ele, extasiado
270 dias mais tarde
Ela dá à luz
Dá à luz?
Mas habitam lá no morro
Ela dá à escuridão
A recém-nascida chora
Pobre mãe, triste lamenta
Para ela é uma tormenta
Ter de ver, presenciar
O pranto que se inicia agora
Sem ter dia para cessar
Ao passo que vai crescendo
A menina vai aprendendo
Enfrentar dificuldades
Seu pai, há muito é morto
A sua vida de droga
Liquidou sua droga de vida
A adolescente herdou do pai
Paciência, esperteza e calma
Malandragem e fria alma
E agora, aos 12 anos
Manuseia qualquer arma
Fim de tarde na favela
E os dois bandidos chefe
Ambos muito decididos
A desvirtuar a bela
Iniciam a disputa
Já é tarde, eles não sabem
Que com a morte do pai
Ela virou prostituta
Sua tão doente mãe
Precisava de consulta
Não deu tempo, a mãe morreu
A garota agora é órfã
Engravida, tem um filho
A história se repete
O governo, o que diz?
Não tenho nada com isso
Implantem o bolsa família
Enganem os idiotas
E me deixem ser feliz.



Mariana Luz

sábado, 16 de outubro de 2010

Independência ou Sorte


 Se aqui fosse um país
O presidente era Lampião
Maria Bonita a primeira dama
Fazendeiro era ministro
Carpinteiro deputado
E a capital era o sertão

Se isso aqui virar país
Quem é frouxo tá lascado
Imagine aquele homem
Não dá conta nem de gado
Ter de viver todos os dias
Com mulher braba do lado

Se aqui fosse um país
Peneira seria arupema
Cobertura é lá em riba
Mandioca é macaxeira
E se falta lugar na mesa
Mas chega aquele compadre
A gente arruma uma beira

Imagina o Brasil ser dividido
O Nordeste agora é separado
Paraíba é orgulho, é sorriso 
Para muitos, formou-se um paraíso
Virou sonho, lugar bom arretado
Pra viver, estudar e trabalhar
A melhor parte de aqui morar
É saber que o Brasil é logo ao lado.


Mariana Luz

Goteira



Escorre, escoa, espalha-se
Sob o céu cintilante, serpenteia
Sobre o solo, a superfície, se esvai

Claridade serena e límpida
Em curso infinito, calmo
Hora lento, marcado
Hora veloz, voraz

Evidência de vida, existência
Fração significativa do ser
À mente de tolos, supérfluo
À quem reconhece, essência

Protagonista, parcela de nós
A presença, correnteza, limpa
Seduz, exala
Perfeição, pureza, paz
A ausência arde, esmaga
Hidrogênio 2 oxigênio
Preciosidade disfarçada em química
Ou num simples copo d'água.
 
 
Mariana Luz