Mostrando postagens com marcador Homenagens. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Homenagens. Mostrar todas as postagens

domingo, 2 de janeiro de 2011

És Tu



Saco plástico
Bolsa de papel
Monte de areia
Castelo de cartas
Penas
Folhas
Palhas
Carvão em brasa
Vela
Ou barco a vela
Moinho
Cata-vento
Fogos de artifício
Somos
Qualquer coisa que
Pelo vento
Seja
Controlada
Destruída
Desmoronada
Alguns chamam depressão
Outros chamam tristeza
Eu chamo aprendizado
Obstáculo vencido
Fases da vida
Superáveis
Atingíveis
Alcançáveis
Transponíveis
E completamente recompensantes
Quando
Ao olharmos para trás
Enxergamos
O vencido
O que nos venceu
O empate
E as lições
O crescimento proporcionado
Por isto sumi
Também por isto, voltei
Encontrei-me
Ou me encontraste
Encheste o saco plástico
A bolsa de papel
Como argila
A areia modelaste
Construíste o mais bonito castelo de cartas
Totalmente protegido da ação do vento
Com as penas, folhas e palhas
Fizeste arte, poesia sólida
Do carvão, combustível
Da vela, luz
Do barco a vela, sentido
Destino
Alvo
Moinho
Cata-vento
Belezas a serem admiradas
Mencionadas
E quando, finalmente, consertaste tudo isto
Quando deste novo rumo
Prumo
Aí sim
Foi a hora de te ter junto a mim
Por mim
Em mim
Tua amizade
Teu carinho
Cuidado
Faíscas 
Atear fogo 
Tão reais
Fogos de artifício
Por fim



Mariana Luz



É, Luh...
Amigos também dizem "eu te amo". Me tomou um tempão, mas eu me levantei!
E sim, foi graças a VOCÊ!
Obrigada... 

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

XX




Acordar cedo, banho gelado
Maquiagem, cabelos penteados
Café da manhã na mesa
Lavar, secar, guardar a louça
Salto alto
Levar os filhos na escola
Sair para o trabalho
Horas a fio, trantando dos pacientes
Ensinando alunos
Atendendo telefones
Organizando arquivos
Vendendo no balcão de uma loja
Extraindo dentes
Não importa qual seja a ocupação
De uma coisa estou certa: cansa!
Buscar as crianças
Voltar para casa
Almoço
Mais mesa a ser posta
Mais louça a ser lavada
O menino tem aula de futebol
A menina, balé
Ou inglês, os dois
Depende do dia
Retornar ao trabalho
Mais do mesmo a ser feito
Ao chegar em casa
Banho
Vestir-se adequadamente
Esperar o marido
Filhos
Estar bonita
Bem humorada
Cheirando a bom humor
Aturar brigas
Discussões
Dar um beijo no marido
Sorrir e perguntar como foi o dia no trabalho
Lavar a farda das crianças
Banhá-los
Jantar
Pratos, louça, pano
Exausta
Hora de dormir
Cólica, sangue
Mau humor
Tristeza
Lágrimas
Dia seguinte, quase tudo se repete
E ainda conseguir ser feliz

Heróis que nada!
Admirável mesmo é a mulher



Mariana Luz

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Abstrato (do Luh)



Um sentimento único
Esquecido
Abandonado na poeira do sótão
Complexo demais pra ser levado a sério
Quando o amor existe?
Quando ele é formado por princípios absolutos
Nada daquela coisa com uma tarja amarela
E uma letra “G” grande que está acessível a todos
Amor é composto
Amor é conjunto
Amor contém
Pra se ter amor precisa de pureza
Precisa ser amigo
Precisa respeitar
Compartilhar
Doar
Precisa que sejas responsável
Humildade nem se fala
Paciência é fundamento
Precisa ser fiel
Precisa ser cúmplice
Precisa saber rir
E chorar
Precisa estar perto
Mas longe também serve
Precisa estar vivo
Mas pode-se amar quem já morreu
Não pode ter idéias pré-concebidas
Precisa ser genuíno
Imaculado
Precisa de paixão
Esta até que é secundária
Porque se materializa
Toma corpo e forma
E torna-se propriedade
Concreto
Estátua
Eu gostaria muito de te ter comigo
Na minha casa
Em minha cama
Seria muito bom
Mas olha nossas diferenças
Sei que eu viveria uma paixão absurda ao teu lado
Esgotaria meus hormônios
E também minhas forças
Mas tudo que é concreto
Se esvai ao vento
Consome-se com o tempo
E morre
E no último suspiro
Aniquila o amor
Infelizmente o egoísmo é mais forte
E é alma gêmea da paixão
Não se largam
Por isso eu digo que te amo
Porque meu amor é abstrato
Tu não podes por tuas lindas mãos
Só pode contemplá-lo boquiaberta
Entendeu menina?

Galega




Ainda era criança
Lembro-me vagamente
O império era meu
O amor dos pais
A bajulação
Os brinquedos
Presentes
Tudo para mim
934 dias depois
Você chegou
Eu, tão pequena, encontrei alguém menor
Minha irmãzinha
Minha bebê
Minha bonequinha
Você chorava, eu chorava junto
Você sorria, eu também
Velava teu berço enquanto aguentava
Tios, primos, avós
Não te entregava à ninguém
E ai de mainha se o fizesse
Sentia ciúmes, estresse
Crescemos
Deixamos de ser bebês
Crianças, brigas intermináveis
Discussões incessantes
Lágrimas, choro
Raiva, tristeza
O brinquedo é meu!
Então, tire minha blusa!
Tentasse alguém nos separar
Saudade
Essa das roupas nunca termina
Dá minha bolsa!
Devolve o vestido!
Empresta o perfume?
Uma fecha a cara
Outra bate a porta
Mas
Qual a primeira pergunta ao chegar em casa?
Hoje, crescidas, adultas
Pode até haver disputa
Mas há, também, consciência
Desavenças, paciência
Quem nunca brigou?
Sentimento fraterno é incompreensível
E o mais importante
É saber que logo chega Quinta-Feira a noite
E acaba o mal-humor
Conversas, confidências
Cumplicidade
Carinho, respeito
Amor


Mariana Luz



Te amo, prasempremente!

domingo, 24 de outubro de 2010

Eco de Sorrisos

 
 
Esse tempo que passa a largos
Que não me espera
Que flui avante, silencioso
Soberbo, arrogante
Senhor das almas
Porque não se põe limites?
Como o espaço
Tridimensional
Não
Ele é soberano
Eterno instante
Memórias atrás
Projetos à frente
Eterno hoje
Sugar um antielétron
Que vaza, rompe a massa negra
A matéria corpuscular
Pra ver se crio forças
Pra alcançá-lo
Talvez ultrapassá-lo
E minha força motriz absurda fazer pará-lo
E aleijá-lo
Curvar seu episódio
E voltar através do buraco de minhoca
Se sorte cair em branas
E por lá viver eternamente
Só assim poderei viver este novo e tão imenso amor
Lá onde o maldito não impera
Lá onde universos em Thales
Lá onde o abstrato supera a avareza do concreto
O amor, maior deles, como rei
E meus gritos romperem dimensões
Meus sorrisos ecoarem em ondas antimatéria
Até onde estiver minha amada
 
 
 Luis Henrique
Pronto! Meu ceticismo posto à prova. Fico aqui coçando a cabeça, pensativa reticente: Será que de alguma forma não estamos ligados por um elo perdido (pleonasmo vicioso, hihih!), por uma congruência eterna? Sei lá...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Apologia

Tens o dom de brincar com as palavras
Mesmo as mais complexas ganham forma
Vida própria, ritmo, melodia
Teus rabiscos transbordam harmonia
Ao ler-te, quase sinto que me abraças
Quando a saudade doi em ti
E a solidão te faz chorar
Quando tens no peito uma dor que arde
Sei que o mais belo posso esperar
Quando me faltava motivação
Tu chegaste firme, foste inspiração
Quando até as letras de mim fugiam
Tu me deste um sopro de emoção
E se acaso o teu sonho desmoronar
Por qualquer razão, nem precisa falar
Só te recomendo, não te deixes abater
Tua vida é motivo para recomeçar
Não estás mais sozinho
Ainda que distante
Tens o meu carinho
E admiração constantes
Amo tua capacidade de transcrever sentimentos
Amo tua intensidade insana
Amo teus rebeldes devaneios
Amo tua idéias profanas


Mariana Luz

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Primeira das Notas Musicais

O poeta, como sofre
Ao soar do primeiro acorde
Pronunciar dos primeiros versos
É preferível nem ter acesso
Atuais autores agiotas
Falta assunto
Falta vocabulário
Falta inteligência
Falta bom senso
Sobra vulgaridade
Sobra superficialidade
Sobra futilidade
O explícito em excesso
Música por encomenda
Não se traduz mais sentimentos
Antes, álcool, erotismo
Depois do cifrão, tem mais algarismos
O interpretado por um representante da beleza
Aquela imposta pela sociedade
Este é o mais bonito agora
E o poeta, coitado
Vê seus versos esquecidos
Não são mais apreciados
Banalização do saber
Culto ao mal elaborado
Antes tivesse morrido
Triste dor presenciar
Tal castigo imerecido.



Mariana Luz

sábado, 16 de outubro de 2010

Ao Poeta Quase Finito


Arrepende-te
Lamúrias, lástimas não são suficientes
Foi um ultraje, uma blasfêmia
Desgosto, morte, enfim 
Arrepende-te
Porque basta-te uma lágrima
Um estilhaçar de palhas
Impressionante, é assim 
Arrepende-te
Pois, por vinte longos anos
Por um simples, mero engano
Quase deu-se o teu fim 
Agradeça, afinal
Por não teres sucumbido
Por, enfim, teres vencido
O que antes te detinha
E agora, em simples linhas
Tu te tornas imortal


Mariana Luz