domingo, 24 de outubro de 2010
Eco de Sorrisos
Esse tempo que passa a largos
Que não me espera
Que flui avante, silencioso
Soberbo, arrogante
Senhor das almas
Porque não se põe limites?
Como o espaço
Tridimensional
Não
Ele é soberano
Eterno instante
Memórias atrás
Projetos à frente
Eterno hoje
Sugar um antielétron
Que vaza, rompe a massa negra
A matéria corpuscular
Pra ver se crio forças
Pra alcançá-lo
Talvez ultrapassá-lo
E minha força motriz absurda fazer pará-lo
E aleijá-lo
Curvar seu episódio
E voltar através do buraco de minhoca
Se sorte cair em branas
E por lá viver eternamente
Só assim poderei viver este novo e tão imenso amor
Lá onde o maldito não impera
Lá onde universos em Thales
Lá onde o abstrato supera a avareza do concreto
O amor, maior deles, como rei
E meus gritos romperem dimensões
Meus sorrisos ecoarem em ondas antimatéria
Até onde estiver minha amada
Luis Henrique
Pronto! Meu ceticismo posto à prova. Fico aqui coçando a cabeça, pensativa reticente: Será que de alguma forma não estamos ligados por um elo perdido (pleonasmo vicioso, hihih!), por uma congruência eterna? Sei lá...
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Dois Mil e Tanto
Frio fúnebre
Gélida escuridão
Ausência de qualquer ruído
Palpável tensão
O medo cortante arranca-me as últimas gotas de esperança
Deus, não me deixe mais viver
Manda o anjo da morte, que ele me tire daqui
Envia depois o da vida, aquela eterna ao lado teu
Só não posso mais ficar aqui
Nesse universo cruel
Mundo de opressores
Oprimidos
Terra de gente insana
Loucos
Uns que morrem por nada
Outros matam por tão pouco
Suicídio agora é moda
Pobres almas inquietas, confusas
Por motivos esdrúxulos
Álcool, posses, luxos
Aniquilam suas vidas obtusas
Homicídio agora é fashion
O que mata e sai ileso
Este é ídolo, é lenda
À sociedade, desprezo
À quem passar perto, contenda
Genocídio é roteiro de cinema
Chacina, motivo de orgulho
Assalto agora é corriqueiro
Sequestro é coisa tão pequena
Grandes mesmo são as filas no hospital
Vandalismo, dos males o mais natural
Fauna e flora, pobrezinhas
Delas, pouco sobrevive
O que não foi liquidado
Corre risco de extinção
Água doce é sinônimo de riqueza
A potável, só se encontra em leilão
Deus, me ouve, por favor
Atende os meus pedidos
Meu desejo, meu último suplício
Me tira deste martírio
Não suporto viver entre essa gente
Não quero mais integrar a raça humana
Transforma-me em árvore, em planta
Assim vou mais rápido, assisto menos
A devastação que está apenas começando
E posso me orgulhar, como prêmio
Por não colaborar com tantos danos.
Mariana Luz
Definir-te
Para o negativo, és meu positivo
A mais absoluta das minhas verdades
Ao te olhar nos olhos, és o meu sorriso
Os meus pensamentos, o calor que invade
Se estou perdida, o caminho de volta
O meu foco, meu prazer, meus anseios
Tu és o mais intimo dos meus segredos
Minha estrela cadente, meu poço dos desejos
És, quando me beijas, meu corpo a reagir
Arrepio forte quando falas a sussurar
És minha vontade louca de amar
És, para mim, saudade, mesmo antes de partir
Primeiro pensamento meu ao acordar
Passeias nos meus sonhos quando vou dormir
És minha tristeza por ter de esperar
És, neste momento, o que mais quero sentir
És meu paraíso, minha calma, paciência
Minha certeza, meu refúgio, ciência
E nessas loucas idéias
És meu ego, enfim
Tu és, meu amor, o meu eu fora de mim
Mariana Luz
Exigência
Quero toda tua paciência insana
Quero esse teu jeito de enxergar a vida
Quero cada beijo, sem medida
Quero toda calma que de ti emana
Quero a mais gostosa gargalhada
Quero tua lágrima mais sincera
Quero a mais linda das palavras
Quero a sentença mais severa
Quero tua doce forma de brigar
Quero tua responsabilidade crua
Quero tua alma, totalmente nua
Quero tua linda mania de brincar
Quero tua maneira de questionar
Quero teus enigmas, mistérios
Quero teu raciocínio, pensar
Quero esse teu louco lado sério
Te quero sorrindo
Sincero
Fingindo
Te quero
Com qualquer humor
Triste, feliz, apaixonado
Ansioso, tranquilo, desesperado
Não importando o estado de espírito
Te quero.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Apologia
Tens o dom de brincar com as palavras
Mesmo as mais complexas ganham forma
Vida própria, ritmo, melodia
Teus rabiscos transbordam harmonia
Ao ler-te, quase sinto que me abraças
Quando a saudade doi em ti
E a solidão te faz chorar
Quando tens no peito uma dor que arde
Sei que o mais belo posso esperar
Quando me faltava motivação
Tu chegaste firme, foste inspiração
Quando até as letras de mim fugiam
Tu me deste um sopro de emoção
E se acaso o teu sonho desmoronar
Por qualquer razão, nem precisa falar
Só te recomendo, não te deixes abater
Tua vida é motivo para recomeçar
Não estás mais sozinho
Ainda que distante
Tens o meu carinho
E admiração constantes
Amo tua capacidade de transcrever sentimentos
Amo tua intensidade insana
Amo teus rebeldes devaneios
Amo tua idéias profanas
Mariana Luz
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Desabafo
É certo que toda família tem a sua ovelha negra, mas por que a representante da minha tinha de ser logo eu? "Mariana, seu trabalho não vale a pena, professores morrem de fome.", "Por que você abandonou seu curso de engenharia? Uma carreira tão mais promissora...", "Fazer cursinho? Vai pro segundo vestibular? Que absurdo! Daqui a 10 anos você terá 32, ninguém vai querer mais nada de você."
A sensação que eu tenho é que me cravaram um punhal no lado esquerdo do tórax e, a cada vez que meu pai ou minha mãe repete uma destas frases, estão segurando-o pelo cabo e girando-o, primeiro no sentido horário, depois, o contrário.
O mais interessante é a mudança radical na forma de tratamento. A filha que antes era um orgulho, estava cursando engenharia, hoje já nem é mais digna de ser mencionada. É, acho que terei de aceitar minha posição, afinal, tranquei minha faculdade, mudei pro exterior, voltei, larguei o curso, decidi que amo lecionar, passei a ensinar inglês e estudar pro vestibular de letras. Ser professora não é o futuro que meus pais sonharam para mim. Sou mesmo a ovelha negra. Ou me conformo com meu status e radicalizo, corto o cabelo, faço uma tatuagem e três piercings... Ou volto pro curso, cumpro minha sentença, termino o martírio, pego o canudo e entrego nas mãos deles, dizendo: "Aí está, o curso dos seus sonhos. Agora deixa eu correr, pretendo obter o meu em 4 anos.". O que são dois anos, afinal? Faltam apenas dois míseros anos e eu termino a faculdade. Dois anos de esforços não reconhecidos, idas forçadas à faculdade, estresse por estudar o que não dá prazer. Mas... O que é um biênio se você não tem de enfrentá-lo?
Por que as pessoas não entendem que um diploma não dignifica ninguém? Qual a dificuldade que há em perceber que caráter não é formado em faculdade? Minha educação, por mais que o tempo passe, não acabará. Por que a humanidade se "maquinalizou" tanto? Por que temos que estudar o que a sociedade impõe, fazer o curso do momento, ter a profissão do futuro? Por que ninguém mais valoriza sentimentos, uma composição bem feita, um abraço, um carinho? Por que as pessoas compram tantas batidas de lata sem nexo, funks proibidões, lapada na rachada?
Não se trabalha mais por sorriso, mas sim, por cifrão. Não se busca prazer no ofício, antes, busca-se o lazer após o serviço. Por quanto tempo ainda, só para não desapontar a pessoa A, B ou C, terei de executar exatamente a função que esperam que eu execute? Por quanto mais terei de fingir estar feliz, encenar entusiasmo, mesmo não gostando da bosta do curso que, aos 16 anos, completamente imatura, pensei ter escolhido certo?
Não há resposta, eu sei. Há, sim, o conceito popular, virou provérbio, lugar comum, chavão: "Hoje em dia só se destacam os bons."
Mas, o que é ser bom? Eu respondo. Ser bom, meu querido, é ser médico, advogado, dentista, engenheiro, arquiteto, empresário. Ser bom é ter uma casa na praia, conta corrente, carro do ano e viagem marcada para fora do país. "Ser bom" não é compatível com "ser professor", por mais que eu ame a profissão. Não. Se você quer ser bom, não seja professor. Não seja vendedor, taxista, gari, recepcionista, secretária... Se você quer ser bom, terá de escolher uma das profissões citadas anteriormente, porque, atualmente, ser bom não é mais fazer o que gosta, e fazê-lo bem. Mas sim fazer o que não gosta, almejando um contra-cheque gordo no final do mês. Uma pena, não?
Já dizia Charles Chaplin: "Não sois máquinas, homens é que sois.". As pessoas esqueceram-se disso. Viraram máquinas de fazer dinheiro, sem se importar com saúde, valendo apenas o estado físico, se este lhe der condições de produzir em larga escala. Ninguém mais quer saber do bem estar do próximo, o que vale hoje é a capacidade que ele tem de gerar lucros.
O ser humano maquinalizou-se, a sociedade industrializou-se. É um mal necessário, dirão muitos. Triste fim, digo eu. Não se surpreenda se, muito em breve, você estiver comprando oxigênio enlatado.
Mariana Luz
Paradoxo
Surpreende
Tua forma sempre séria de brincar com todo mundo
O carinho que nem notas, mas denotas ao agir
Tua capacidade de fazer eterno um segundo
A saudade que eu sinto, mesmo antes de partir
Surpreende tanto
Tua maneira sincera de falar meias verdades
O teu jeito limitado de entregar-te por completo
Como, mesmo a distância, tu consegues estar perto
Ainda alheia aos teus beijos, o teu gosto me invade
Surpreende bastante
As palavras, sempre claras, ao deixar subtendido
A mania recatada de fazer declaração
E as vezes que achava que tu tinhas me esquecido
Tu vieste com uma frase, um poema, uma canção
Surpreende sempre
Tua racionalidade ao pensar com o coração
A resposta sempre óbvia, quando não há solução
O teu muito simples jeito de ser assim, tão complicado
O teu lado, as vezes frio, de estar apaixonado
Surpreende, enfim
Teu perfume enigmático, a desvendar-te me chama
Teu perfume enigmático, a desvendar-te me chama
O desejo que aumenta, a vontade de você
E o mais surpreendente, me faz muito te querer
A maneira que encontraste para falar que me amas
Mariana Luz
Assinar:
Postagens (Atom)







